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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Duas propostas musicais para grupos iniciantes



1.1.Primeira proposta: Sons do campo e da selva!

Ø  Proposta: Partindo da diversidade dos animais e suas características sonoras, trabalhar com as características dos sons, sendo: Altura, intensidade, timbre e duração; trabalhar com a criatividade e participação ativa do aluno.
Ø  Materiais: Bambolês coloridos ou círculos desenhados com giz ( ao menos 4 cores diferentes) ou qualquer coisa que possa delimitar espaços circulares como barbantinhos coloridos.
A quantidade de círculos feitos será proporcional à escolha da quantidade de animais.

*      Como proceder:
- Observe a quantidade de alunos e a quantidade de grupos que poderá formar.
- Baseado nesta informação peça aos alunos que digam quais animais podemos encontrar na selva e ‘quais sons’ (timbre, altura, intensidade, duração) cada um destes faz. 
- Depois separe os grupos, da forma que achar melhor, seja por sorteio, ou escolha própria do educador.
- Associe cada grupo que representará um animal a uma cor de círculo.
- Os círculos deverão ficar dispostos um ao lado do outro formando, no mínimo, duas fileiras.


- Figura “a” exemplificando a disposição dos círculos, figura “b” as posições que o educador ou outro aluno(a) poderá ficar dentro deles, podendo também fazer “ vice versa” das posições apresentadas na figura “b”.

*      Regras:
- Cada vez que, por exemplo, o educador pisar dentro de um círculo o respectivo grupo daquela cor deverá “ fazer o som” do animal representado.
O educador controlará os timbres conforme pisa em cada cor diferente, controlará a intensidade conforme pisa (firme, forte, devagar, ‘’pontinha do pé”) , controlará a duração conforme o tempo que ficar em cada círculo. A altura será trabalhada conforme o timbre de cada animal, por exemplo, o timbre da vaca é mais grave do que o timbre do pintinho.

1.2 Segunda proposta:Sonsílabas rítmicas!

Ø  Proposta: Trabalhar com ostinatos(rítmicos ou rítmicos/melódicos) a partir da divisão silábica.

Ø Materiais:Utilizar instrumentos disponíveis na escola.

*   Como proceder:
-Primeiramente, é preciso distribuir os instrumentos por grupos, distribuir as palavras, fica a critério do educador a quantidade de grupos.
- Os alunos poderão trabalhar apenas com a parte rítmica, não é preciso trabalhar ambas, melódica e rítmica.
- O educador poderá utilizar um piano ou fazer um arranjo adequado ao seu instrumento. Na clave correspondente aos alunos não é preciso seguir com precisão a altura das notas, pode-se valer da aproximação correspondente em relação à altura dos instrumentos. Por exemplo, em “ Rã” utilizar um instrumento cujo timbre é agudo. E assim por diante. Como opinião, utilizar no “ xuá “ e “ Tatu” instrumentos de percussão e em “ Bolinha” todos soando juntos.

Palavras: Dinossauro, Boi, Vaca, Xuá, Baleia, Dragão, Falcão, Rã, Tatu bolinha.

 Regras
- Perceba que a divisão silábica corresponderá às figuras positivas e uma negativa.
- Antes de executar com instrumentos, treinar apenas cantando, até cada grupo estar seguro de suas vozes e vezes em que irá atuar.
- Fica a critério do professor, a sequência que cada grupo e seus respectivos instrumentos irão atuar.





Possíveis encadeamentos que acarretam indisciplina nas aulas de educação musical no contexto da educação básica

Marina de Azevedo Guerra

Resumo: Educadores musicais licenciados lidam constantemente em seu cotidiano com escolas que não possuem sala apropriada para comportar as aulas de educação musical, essa situação acarreta o uso compartilhado da sala de aula "tradicional" com o professor PEB I, podendo ocasionar menor aproveitamento do tempo para a aplicação das atividades devido às mudanças necessárias realizadas para adequar a sala às condições requeridas para as aulas de educação musical, tais adequações podem fomentar a dispersão e indisciplina por parte dos alunos, contribuindo com o baixo rendimento das aulas que ocorrem unicamente uma vez por semana. Por meio de um relato baseado em observação este trabalho propõe a descrição de implicações decorrentes da condição de não haver uma sala apropriada disponível para ministrar suas aulas na educação infantil e ensino fundamental I da educação básica, especialmente no ensino público, bem como propõe determinadas estratégias que colaboram com a amenização de comportamentos indisciplinados enfrentados em sala de aula.

Palavras chave: educação musical. educação infantil. ensino fundamental. estrutura inadequada. indisciplina.

Introdução
O propósito deste trabalho delimita-se ao relato, fundamentação e discussão acerca de observações realizadas no período de estágio proveniente dos dois anos finais do curso de Licenciatura em Educação Musical da Universidade Federal de São Carlos. Mediante observação de situações vivenciadas cotidianamente pelo educador musical em um contexto da educação básica (educação infantil e ensino fundamental I) da rede pública, constatou-se que o fato de aulas de educação musical serem ministradas nas salas de aula tradicionais, opção decorrente da falta de um espaço apropriado às aulas da referida disciplina, implica em impasses que prejudicam o aproveitamento e rendimento das aulas, especialmente em se tratando da indisciplina em sala de aula. Observou-se que fatores como tempo demasiado esparso entre as aulas e constituição não propícia do ambiente em que a aula será ministrada tornam o tempo de aula escasso para que o professor possa desenvolver um trabalho satisfatório em termos de continuidade e consolidação. Pois, situações como deslocar um número considerável de instrumentos de uma sala à outra, organizar a sala adequadamente para o estabelecimento dos pertences do educador musical, bem como para utilização dos instrumentos que serão distribuídos a cada aluno acarreta em tumulto por parte dos alunos  culminando em uma perda significativa de tempo e vigor direcionados à preparação do ambiente e estabelecimento da disciplina dos alunos. Por conseguinte, este trabalho busca uma compreensão para além da descrição das implicações desse cenário, propondo também estratégias que amenizem as problemáticas provenientes da desafiadora indisciplina enfrentada durante as aulas de música em salas de aula tradicionais.

Dos fatores que comprometem o desenvolvimento das aulas
Ao longo do período concernente ao estágio em educação musical, realizado em uma escola municipal de educação básica, Educação infantil e ensino Fundamental I, observou-se que as aulas de educação musical para os alunos dos 4ºs e 5ºs anos ocorriam em salas tradicionais juntamente com os professores de educação básica I (PEBI), pela razão de não haver um espaço na escola adequado para os alunos dos anos fundamentais I. Das situações observadas é possível destacar o professor deslocando vinte e oito instrumentos de uma sala relativamente distante dos corredores em que se encontram as salas em que ministra suas aulas, situação delicada quando dentre os muitos instrumentos a serem trabalhados são, por exemplo, timbas. O número de idas e vindas entre buscar timbas, no máximo duas por vez, a organização na distribuição de instrumentos/aluno, a agitação dos alunos em sala de aula não colaborando com a organização exigida no momento, a noção de que há conteúdo a ser trabalhado e o tempo vai se tornando escasso, todas essas circunstâncias contribuem gerando certo desgaste físico e mental no professor. Dessa forma, percebeu-se que a lacuna quanto à falta de um ambiente adequado aos alunos desta faixa etária, que varia entre 10 e 12 anos, causa uma cascata de implicações que afetam o trabalho do educador musical em vários aspectos, podendo dificultar questões relacionadas desde a disciplina mantida pelos alunos até o nível de produtividade da classe.
A falta de espaço induziu ao professor ministrar suas aulas em ambiente não adequado às aulas de educação musical, salas de aula convencionais, cujo modelo tradicional predomina, são constituídas por longas fileiras de carteiras e cadeiras uma após a outra, abrigando cerca de 28 alunos, por isso faz-se necessária a reorganização das cadeiras e carteiras em benefício de um espaço que possibilite desenvolver as atividades musicais. Nesse caso, aproximadamente 5 minutos antes do início das aulas o professor deve considerar organizar as carteiras e cadeiras, bem como aproximadamente 10 minutos antes do encerramento da aula o professor deve retomar a organização da classe, recolhendo os instrumentos trabalhados estando atento ao número e estado dos instrumentos recolhidos, recolher seu próprio material de trabalho (caixas de som, diário de classe, sacolas com outros instrumentos, folhas de atividade, dentre outros) e colocar novamente as carteiras e cadeiras em seu devido lugar. Esse momento referido é marcado pela demasiada agitação da maioria dos alunos que promovem muita poluição sonora em classe, uma vez que arrastam as cadeiras e carteiras sem critério algum, iniciam brincadeiras impetuosas, tornam-se desajeitados com o manuseio dos instrumentos musicais a serem recolhidos, apesar das persistentes instruções provindas do educador musical.
Em se tratando dos aspectos disciplinares, durante a distribuição e organização dos instrumentos em classe constatou-se ser um desafio manter a ordem e contar com a colaboração dos alunos que se tornam agitados e não compreendem a importância de se aproveitar ao máximo o tempo disponível para aula.  Gerir a atenção de um grupo de pessoas não é tarefa descomplicada, em especial quando o grupo é formado por crianças, para Sobrinho (2015) fatores cognitivos comportamentais como a falta de autocontrole de alunos e fatores biológicos como o fato de que a capacidade de concentração destas faixas etárias encontra-se ainda em processo de desenvolvimento, conforme Blakemore e Choudhury (2006), podem perturbar a estabilidade da disciplina, nesse sentido a maior parte do tempo destinado à aula foi ocupado por chamadas de atenção da parte professor que, poucas vezes, pode contar com a ajuda de professoras PEBI; conversas relacionadas à importância de se ter disciplina em sala de aula ou, ainda, por atitudes tomadas acerca de um ou dois alunos que desrespeitaram o professor, como solicitar a presença do inspetor, bem com proceder com o encaminhamento de tais alunos à diretoria, todas essas situações levam tempo de aula e, por vezes, o professor é obrigado a deixar a sala sozinha até encaminhar tais alunos. Em suma, foi observado que a falta de espaço adequado, a necessidade de deslocar materiais de uma sala para outra, a falta de disciplina por parte dos alunos, são fatores que somados ao tempo esparso de ocorrência das aulas, que ocorrem uma vez na semana, aliados ao tempo de aula que acaba por se tornar escasso devido à concatenação das implicações expostas, dificultaram muito o trabalho do educador musical em sala de aula comprometendo o aproveitamento do conteúdo e, conseqüentemente, o rendimento das aulas.

Considerações finais
Em seu cotidiano de trabalho, por vezes, um dos desafios enfrentados pelo educador musical é a possibilidade de não haver ambiente adequado para ministrar suas aulas nas escolas, seja devido a falta de um espaço físico ou pela razão de os alunos excederem em quantidade quando em comparação com a área total disponível em determinada sala, tornando assim, para algumas turmas de alunos, o espaço inadequado. A questão de falta ou espaço inadequado em relação às aulas de educação musical acarretam em duas implicações relevantes: a oportunização da indisciplina em sala de aula, bem como a dificuldade de se desenvolver um trabalho de maneira satisfatória em termos de continuidade e consolidação de projetos semestrais ou anuais, fato que, muitas vezes, leva os educadores musicais a  sentirem-se frustrados.
Os profissionais precisam se sentir confortáveis nas suas funções docentes em música e ter uma identidade ou perfil de atuação clara da profissão de educação musical para que a sociedade brasileira possa, em retorno, defender a sua necessidade e permanência perante o sistema educacional (OLIVEIRA, 2006, p. 26).

Entretanto, o processo de conscientização da sociedade e demais profissionais da educação quanto à relevância que a educação musical possui na educação básica, como qualquer processo de conscientização, demandará tempo e persistência, bem como esforço, da parte dos educadores musicais, visto que:
O docente enxerga na atitude de alguns colegas de profissão certa desvalorização da música como conhecimento e do professor de música, desconsiderando-o como um profissional que tem uma formação acadêmico profissional solidificada. (...) em consequência dessa desvalorização, a música na escola ainda é vista como “entretenimento” por parte dos professores (SILVA, 2017. p. 84).

Enquanto este processo de conscientização se desenvolve para que haja atenção adequada quanto às necessidades do educador relativas ao desenvolver pleno de um projeto musical na educação básica, o educador musical precisará lançar mão de estratégias criativas observando as ferramentas e opções que dispõe, por isso a importância de o educador musical ser licenciado, para que disponha de fundamentação pedagógica e estratégias pedagógicas em educação musical, como os métodos ativos em educação musical, ao elaborar seus planejamentos considerando o período de desenvolvimento dos alunos e as condições de trabalho que possui para elaborar formas de ministrar o conteúdo proposto na área específica, porquanto caso tenha exclusivamente bacharelado em sua formação permanecerá atrelado à necessidade do “fazer musical” unicamente dependente de maneiras e instrumentos convencionais, como aponta Penna (2007):

Quem toca – tendo se formado pelo modelo tradicional de ensino [bacharel em instrumento] – provavelmente vai ensinar como foi ensinado, o que pode funcionar bem em uma escola especializada, mas não em uma sala de aula da educação básica, com seus desafios próprios (PENNA, 2007, p. 51).


Dessa forma, contata-se que é necessária a mobilização por parte dos educadores musicais em benefício de uma interação adequada que esclareça tanto os demais profissionais da área da educação quanto a sociedade em geral. Nesse sentido, o educador musical poderá conscientizar aproveitando atividades do cotidiano como na elaboração de relatórios ou planejamentos de aula justificando a partir de fundamentação que elucide sobre a importância da educação musical como prática na educação básica, igualmente convidando profissionais a participarem de um horário de aula apresentando ao colega profissional os aspectos que a educação musical pode trabalhar; igualmente pode contribuir divulgando acerca do papel da educação musical na sociedade através de meios de comunicação em massa como blog, redes sociais, plataformas audiovisuais; assim como escrevendo artigos em periódicos que de preferência estejam indexados, ou também em revistas locais, jornais e participando de eventos científicos da área da educação apresentando trabalhos acerca dos projetos que desenvolve. Somente através da conscientização a sociedade, especialmente os demais profissionais da educação e autoridades políticas, passarão a apoiar e modificar determinados desafios problemáticos que a realidade apresenta ao cotidiano dos educadores musicais.
Acerca da questão de indisciplina, é essencial que o educador musical não lide com tais comportamentos compreendendo-as como atitudes de cunho pessoal, ou seja, algo que ocorra exclusivamente entre ele e o aluno, pois são comportamentos que devem ser tratados mediante perspectiva imparcial para que se possa lidar com tal situação dentro de uma abordagem pedagógica. São apresentados por Aquino (1998) três tipos de hipóteses explicativas constantemente utilizadas por professores para justificar a indisciplina e o fracasso escolar, a saber: Hipótese do aluno “desrespeitador”, hipótese do aluno “sem limites” e hipótese do aluno “desinteressado”, esses três estereótipos, por exemplo, já demonstram o foco do educador imprimindo a situação de forma pessoal. É preciso que se construa o entendimento de que não é possível que o aluno torne-se refutador do professor e nem o professor torne-se um refutador do aluno, posto que não se trata de refutar, bem como não se trata de o professor se sentir invadido pelo diálogo ou indiferença do aluno direcionado a ele, mas sim a respeito de o professor refutar determinado comportamento que se originou de determinada atitude, a qual encontrou uma forma de se expressar dentro de um determinado contexto, porquanto indisciplina refere-se às atitudes, geralmente, posteriores a manifestação de comportamento disruptivo, comportamentos de desafio, falta de materiais necessários, bem como nos casos de recusa em trabalhar em sala de aula,  tais comportamentos definem-se quando:

Comportamentos disruptivos- Alunos fazem muito barulho, falam fora de vez, insultam-se mutuamente, fazem comentários despropositados, andam fora dos seus lugares, estão na brincadeira. São comportamentos que os professores não consideram ofensivos ou graves em si mesmos mas que interferem no ambiente de trabalho e no andamento das lições. Relutância, recusa em trabalhar. Quando se propõem actividades os alunos mostram relutância, resistem, queixam-se ou mesmo recusam-se a aderir. - Comportamentos de desafio. Alunos desafiam a autoridade do professor. - Falta de materiais. Alunos não trazem o material necessário para a aula (VAZ DA SILVA, 1998, p. 556-557).

É importante notar que essas mesmas categorias de comportamento podem amplificar e ter determinada intensidade em cada um dos níveis escolares, normalmente crianças apresentam postura não violenta em comportamentos de desafio. Outro relevante aspecto é apontado por Aquino (1998) quando discorre a respeito da conclusão que educadores chegam a partir de uma comparação ao afirmarem que “antigamente era melhor”, tal afirmação demonstra-se descontextualizada porquanto destaca unicamente as atitudes das quais se considera correta em uma determinada época, desconsiderando vários fatores como os culturais, ambientais e até políticos que levam à pressão e manifestação de determinados comportamentos. O ambiente de sala deve ser compreendido como um organismo vivo cuja unidade mínima seria representada pela atitude, porquanto comportamentos seriam expressões constantes e mutáveis que definiriam segundo a segundo esse contexto. Por isso, justifica-se a importância de adotar uma postura de vigilância, permanecendo atento às variáveis, como se fosse a “fisiologia” do ambiente, evitando-se o enfoque nos tipos de abordagens que baseiam-se em resoluções comportamentais a partir de categorizações em estereótipos, o determinado “tipo” de aluno. Borges (2010) em alusão ao trabalho de Vaz da Silva (1999), apresenta um conjunto de estratégias dividido em cinco cinco tipos de posturas consideradas como adotadas por professores eficazes, como Withitness, Overlapping, Smoothness, Maintening Group Focus e Variety, ou seja, tratam-se de posturas com as quais os educadores conseguem lidar com questões comportamentais em ambiente escolar da maneira mais adequada, a saber:

Withitness-  O professor comunica constantemente com a turma através de todo o seu comportamento, aqui a comunicação não se limita à forma verbal, o professor se dá conta do que se passa na turma o tempo todo, e consegue por isso agir de forma rápida quando as situações acontecem. “Overlapping” - refere-se ao que o professor faz quando tem duas ou mais situações a solicita-lo ao mesmo tempo. Trata-se de um fenómeno de atenção múltipla. “Smoothness” – Relacionado com as formas como o professor inicia e mantém o ritmo da actividade em sala de aula, evita que interferem com o normal funcionamento da aula. “Maintening Group Focus” – Como o professor dirige as actividade através de grupos como (Group Acerting, Format, Accountibility), que querem dizer em ordem, o que o professor faz para manter o grupo a trabalhar em conjunto, outra que tem a ver com o que é exigido das crianças em sala, quando um estiver a ser chamada, e o outro que tem a ver com o grau de responsabilidade que é delegado aos alunos pelas suas acções. “Variety” – O professor evita a monotonia através de actividades variadas e organizando a turma em grupos diversos (VAZ DA SILVA, 1999 apud BORGES, 2010, p. 34-35).

Devido à necessidade de receber e processar constantes estímulos o nível de concentração das crianças apresenta-se, por vezes, inconsistente e de forma deveras dinâmica. Nesse sentido comportamental, igualmente faz-se relevante considerar o tempo e as formas de concentração das crianças, por isso o educador deve considerar dominar não só o conteúdo que irá passar para a classe, mas também como, de que maneira, trabalhará determinado conteúdo fundamentando-se nas peculiaridades de cada período relativo ao desenvolvimento humano. Além de considerar o quão claro e objetivo apresenta-se o conteúdo a ser trabalhado é preciso que, também, o educador considere assumir um papel de cenógrafo, utilizando-se de sua criatividade para criar cenários a partir de todas as ferramentas que tem disponível, assumindo-se que “Ao mesmo tempo que existem fatores que influenciam negativamente a atenção e a concentração e que tendem a comprometer o rendimento escolar, é possível que recursos que estimulem a motivação e o relaxamento influenciem positivamente a aprendizagem” (COSTA et al, 2015 p.76).
Ao evitar oprimir e exigir que haja unicamente um tipo de comportamento constante em cada um dos alunos oportuniza-se a percepção de se compreender a sala de aula e seus integrantes como um todo, como um organismo vivo cuja autopoiese se mantém através de comportamentos, tanto por parte dos alunos como do professor, o entendimento das variáveis de uma sala de aula faz com que este ambiente torne-se passível de ser “comportamentalmente arquitetado” pelos gestores. A partir disto, o próximo desafio torna-se elaborar um contexto que esteja em conjunto com o conteúdo do plano de aula capaz de direcionar a atenção de forma que toda a energia que há na inquietação infantil seja redirecionada para determinada finalidade, antes mesmo de desvirtuar-se por meio de atitudes que levem à manifestação de comportamentos disruptivos que são significativamente capazes de desestabilizar a disciplina no “organismo” sala de aula ao precederem situações de indisciplina que obstruem a produtividade, aproveitamento e rendimento dos conteúdos em sala de aula.
Diante do exposto, concluí-se que os educadores musicais licenciados devem estar preparados para os desafios que se apresentam em seu cotidiano, como as implicações oriundas da falta de local apropriado e escassez materiais adequados para trabalhar suas aulas em escolas na educação básica, dessa forma durante o processo de graduação em licenciatura faz-se necessário o entendimento de que a formação não é exclusivamente para tornarem-se mediadores de conteúdos da respectiva área, mas também para serem mediadores de ambientes, considerando tanto as variáveis estruturais do ambiente escolar, seu local e materiais para trabalho, bem como as variáveis comportamentais.

Referências

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BORGES, S. I. S. Indisciplina numa escola secundária: Estudo das estratégias de prevenção utilizadas pelos professores em sala de aula. 2010. 141 p. Dissertação de Mestrado (Educação Especial)- Escola Superior de Educação de Lisboa, Faculdade Universidade de Cabo Verde, Praia, 2010.  Disponível em: <http://193.136.21.50/bitstream/10961/1687/1/Tese%20Mestrado.pdf>
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